
Os livros. Não sei viver sem eles. Presença constante na minha vida desde sempre.
O gosto pela leitura, fomentaram-no deste criança.
Em casa do meu pai, na pequena estante em frente da cama, alinhavam-se diversos livros de histórias. Ainda desse tempo possuo "A menina do Mar" de Sophia de Mello Breyner e um livro em francês que fazia as minhas delícias. "Noël" era o título, e apesar de não ler em francês encantavam-me as belas imagens de um Natal de sonho.
Em casa da minha mãe os livros estavam arrumados, vá-se lá saber porquê, nas prateleiras da dispensa. Eram um mundo à minha espera. Longas tardes de leitura passei estendida no sofá a ler "A morgadinha dos Canaviais", "As pupilas do senhor reitor" ou o "Amor de perdição" que me levou às lágrimas, e muitos mais que ía sucessivamente desenterrando do fundo das prateleiras.
Ninguém me dizia o que ler. Ninguém me impedia de ler fosse o que fosse.
Mais tarde, já na adolescência, entrei no mundo da poesia. Sophia de Mello Breyner, Natália Correia, Carlos de Oliveira ou Pablo Neruda. Lia. Lia tudo avidamente.
De Manuel Alegre comprei "A praça da Canção" na Livraria Portugal na Rua do Carmo, a minha livraria de eleição. Disfarçados a um canto, podíamos sempre encontrar alguns dos livros proibidos na época, e era uma emoção poder levá-los para casa para os ler às escondidas.
Foi lá também que adquiri alguns livros de Engels, Lenine, Mao-Tsé-Tung (ou Mao-Zedong, como li anos mais tarde), pequenas luzes naqueles anos de escuridão.
Nas viagens de comboio que fazia diariamente as páginas desfiavam-se na razão directa da velocidade a que me deslocava.
Nos cafés que frequentei ao longo da vida sempre há-de permanecer a recordação de uma certa mesa que preferia, e em que me sentava a ler e a escrver durante tardes a fio.
Nos jardins em que passeava, há sempre um banco que me recorda tempos antigos em que lá me sentei com um livro nas mãos, aproveitando o silêncio e o sol.
Livros e mais livros.
São imensos já, os que enchem as minhas prateleiras. Amontoam-se já, com alguma desarrumação, que eu confesso, até gosto.
Tentei em tempos organizar uma base de dados mas é um trabalho sempre incompleto. Todos os meses há mais para acrescentar.
O meu sonho foi sempre ter uma sala só para mim com os meus livros. Uma secretária, um cadeirão e um bom candeeiro. O silêncio completa o quadro de sonho.
O meu gosto é variado. Romance, Poesia, Temas de História, Crónica, ... e Enciclopédias e Dicionários. (podem rir-se ... cada um com a sua mania!!!)
Hoje é Dia Mundial do Livro. Comprei o jornal como em todos os domingos e, espantem-se ... nem uma referência à data.
No jornal Público, entre as páginas 3 a 6, pormenoriza-se longamente a conquista do 21º título do futebol clube do Porto. Quem sabe eram essas as páginas antes pensadas para falar deste dia! Gostaria de pensar que pelo menos tinham pensado em falar do assunto.
É pena! Preferiram outro tema.
Para mim, hoje é Dia Mundial do Livro. Um dia que eu comemoro.
(Foto da capa de um livro da minha infância)