Desde que me lembro, na minha vida sempre estiveram presentes. Os livros. Lembro-me da dispensa perdida da minha infância com as prateleiras cheias de velhos livros. Eram então os meus oito ou dez anos. Da velha colecção Cosmos eram inúmeros os exemplares. Nessa época não eram os meus preferidos mas revivo sempre as suas capas de cores vivas e páginas amarelecidas, quando todos os anos ainda os encontro em alguns stands da Feira do Livro. As Pupilas do Senhor Reitor e a Morgadinha dos Canaviais contam-se nos primeiros livros que recordo ter lido. Tardes de sonho, meia deitada no sofá da sala, e as páginas a correrem velozes sob os meus olhos.
Os primeiros que comprei e que ainda possuo são de uma velha colecção da Bertrand - Enigmas de todos os tempos. Letras brancas sobre capa preta. Ovnis, fenómenos paranormais, mundos esquecidos ou paralelos, eram os assuntos que mais desafiavam a minha curiosidade. A par vinham os romances. Literatura estrangeira a maior parte das vezes e a partir de certa altura, os livros proibidos. Mao, Engels, Lenine, quase sempre escondidos nas prateleiras mais esconsas de certas livrarias. A poesia atravessou a minha vida por ciclos e sempre a par com outras escolhas.
Livros, livros e mais livros. Os que já li e uma infinidade de outros ainda por ler. Neste momento atravesso uma fase de difícil concentração. Leio umas páginas e depois páro quando me apercebo que o meu espírito está noutro lado, bem longe de onde deveria estar. Assim sendo, os livros ficam mais tempo na mesa de cabeceira. Viajam durante mais tempo comigo. Alternam-se nas minhas mãos. Hoje pego no que estava a ler ontem e amanhã já me apetece ler outra coisa. São fases ... um dia passam e dão lugar a outra ... mais rica de palavras e concentração.
Toda esta conversa porque me desafiaram a citar os últimos livros que li e ao tentar desempenhar essa tarefa, me ter apercebido que têm sido poucos nos últimos tempos.
O desafio foi-me proposto pela
Isabel do blog
Bom Dia Isabel, pelo
Afonso, do blog
O Mundo em dois Minutos, o
Luís Manuel do blog
Heliasta e o
Zé da blog
Trans-Atlântico.Aqui vão:
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Aroma de Radhika Jha (lido de um fôlego)
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Quase gosto da vida que tenho de Pedro Paixão (volto sempre a este autor)
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As pequenas memórias de José Saramago (aqui a simplicidade da escrita)
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Los aires difíciles de Almudena Grandes (ainda em trânsito)
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Contos exemplares de Sophia de Mello Breyner (relido após tantos anos já)
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O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa (de vez em quando mais um pouco)
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Kafka à Beira-mar de Haruki Murakami (aquele que me acompanha agora)
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Tempo de Cinza de Manuel Filipe (para ir degustando)
Acho que me deixei levar e citei demasiados mas em contrapartida não nomeio ninguém para me seguir.
Permitam-me ainda por fim, relembrar os
Direitos Inalienáveis do Leitor1º O direito de Não Ler
2º O direito de Saltar Páginas
3º O direito de Não Acabar um Livro
4º O direito de Reler
5º O direito de Ler Não Importa O Quê
6º O direito de Amar os "Heróis" dos Romances
7º O direito de Ler Não Importa Onde
8º O direito de Saltar de Livro em Livro
9º O direito de Ler em Voz Alta
10ºO direito de Não Falar Do Que se Leu