quinta-feira, novembro 23, 2006

...

Não basta estender as mãos vazias para o corpo mutilado,
acariciar-lhe os cabelos e dizer: Bom dia, meu Amor.
Parto amanhã.

Não basta depôr nos lábios inventados a frescura de um beijo
doce e leve e dizer: Fecharam-nos as portas. Mas espera.

Não basta amar a superfície cómoda, ritual,
exacta nos contornos a que a mão se afeiçoa e dizer: A morte é o caminho.

Não basta olhar a Amante como um crime ou uma injúria
e apesar disso murmurar: Somos dois e exigimos.
Não basta encher de sonhos a mala de viagem, colocar-lhe as
etiquetas e afirmar: Procuro o esquecimento.

Não basta escutar, no silêncio da noite, a estranha voz distante,
entre ruídos de música e interferências aladas.

Não basta ser feliz.

Não basta a Primavera.

Não basta a solidão.

Daniel Filipe, "A invenção do Amor e Outros Poemas", Editorial Presença, Lisboa, pp.57/8

5 Comments:

Blogger JPD said...

Não basta ler este texto uma vez apenas.
É tão bonito!
Excelente escolha.
Bjs

1:18 da manhã  
Anonymous poetaeusou said...

Não lutes com a vida.
Por nada te oferecer:
Chorar ?.
De nada serve, podes crer.
Fugir ?.
A vida acaba sempre por te ver;
Gritar ?.
CONSELHO
Mesmo que grites não deixas de sofrer;
Mentir?.
Esperança vã que acabas por perder;
Viver ?.
Mas é isso o que tens sem quereres ter.
Morrer ?.
Morrendo sim, então podes ganhar.
Á vida ingrata que nada te quis dar.
in) Mendonça Ferreira, Pag.71.
Index Poesis-Enc.Poetas Almadenses.

3:01 da manhã  
Blogger Paula Raposo said...

Pois não...Nada disso basta! Beijos, Dulce, bom fim de semana.

7:52 da manhã  
Blogger DE PROPOSITO said...

Pois que haja um não basta, quanto baste. E ir vivendo 'o quanto baste', ser feliz 'o quanto baste' e em todos os desejos 'o quanto baste'.
E quante baste, beijinhos para ti.
Manuel

11:39 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Não basta ser Feliz ?
Mas era tão bom, não era ?

6:41 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home