segunda-feira, setembro 25, 2006

Uma qualquer pessoa (excerto)

Precisava de dar qualquer coisa a uma qualquer pessoa
Uma qualquer pessoa que a recebesse
num jeito de tão sonâmbulo gosto
como se um grão de luz lhe percorresse
com um dedo tímido o oval do rosto.

Uma qualquer pessoa de quem me aproximasse
e em silêncio dissesse: é para si.
E uma qualquer pessoa, como um luar nascesse,
e sem sorrir, sorrisse,
e sem tremer, tremesse,
tudo num jeito de tão sonâmbulo gosto
como se um grão de luz lhe percorresse
com um dedo tímido o oval do rosto.

António Gedeão, Obra Poética, p.95

4 Comments:

Blogger wind said...

Como essa dádiva seria linda:)
beijos

12:51 da manhã  
Blogger Paula Raposo said...

Excelente este excerto! Aliás, adoro Gedeão...beijos, Dulce.

9:38 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Há coisas sem explicação...
apenas percorrer com um dedo tímido o oval do rosto para o luar, renascer.

Miau, miau!

2:46 da tarde  
Blogger Teresa David said...

Gosto bastante da poesia de Gedeão e é sempre bom encontrá-la por aqui nesta blogosfera sem fim.
Um abraço
Teres David

8:40 da tarde  

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