quarta-feira, junho 21, 2006

Desligada


Páro neste limbo que é só meu.
Pouso o olhar no verde sem o ver.
Olho como se o verde fosse o azul, como se a erva fosse o mar.
Ele não está lá. Imagino-o apenas. Nâo, nem isso. Isso dá muito trabalho. É um esforço desnecessário.
Quero parar apenas. De pensar. De ver. De ouvir. De viver, até.
Como um "robot" que se desliga. Os movimentos suspensos.
Como uma máquina que se quer parar.
Como quem dorme.
Como quem hiberna.
Como quem morre apenas por momentos. Apenas por umas horas.
Suspender tudo. Poder parar.
Desligar-me.
Fechar os olhos, os ouvidos e o pensamento. Especialmente o pensamento.
Desligar a vida e ficar do outro lado. Quieta. Protegida.
Ou desligar a vida e ficar ali, apenas.
Sem que me vissem. Sem que me ouvissem.
Sem ver. Sem sentir. Sem pensar.
Desligada.
Des-li-ga-da.

(Foto em www.trekearth.com)

11 Comments:

Blogger escrevi said...

Amiga, tu não podes desligar.
A energia que te alimenta é solar, e o sol não se desliga.
Vais continuar, apesar dos momentos de desânimo, vais continuar e vais chegar... à plenitude da luz.

Um beijo.

12:35 da tarde  
Blogger wind said...

Isso não adianta, estás a fugir.
Tens de enfrentar a realidade:)
beijos

2:31 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

É o que muitas vezes apetece. Eu sei. Impossível. Não podemos desligar-nos. Jamais. Beijinhos.

2:46 da tarde  
Anonymous Um Sol_itário said...

" O Sol quando nos ilumina é para todos!...
O mal deste Sol é querer sempre iluminar toda a gente, não conseguindo desligar-se.
Tambem este Sol se queria desligar.
Iluminar só a Lua e esquecer os dias...
... e viver as noites! "

Gostei da foto.

2:55 da tarde  
Blogger jorgesteves said...

Querer de bem querer se a Terra do Nunca fosse deste lado; mas não é! Aqui não se pode pedir pessanga ou, como dizia a nossa TV nos promórdios... 'o programa segue dentro de momentos'!
Força, amiga!

amizade,
jorgesteves

5:21 da tarde  
Blogger noite said...

Muito bonito, como sempre. Profundo

6:58 da tarde  
Blogger JPD said...

Eu percebo esse desejo e sei tão bem como tu que há mecanismos artificiais de evasão. Resultam fugazmente!
A questão é sempre a mesma: como conciliar o usufruto e o prazer que uma boa gestão de espaço e tempo onde tantas emoções nos fazem vibrar com o desejo tão desconcertante de deles (espaço, tempo e emoções) desejarmos prescindir?
Bjs

7:58 da tarde  
Blogger augustoM said...

Confirma-se a inscrição para o jantar de homenagem ao Fernando. Até sábado
abraço
Augusto

9:19 da tarde  
Blogger margusta said...

Dulce,
...o texto está lindo...mas não queiras desligar!..Eu sei que ás vezes apetece tanto!!!..Mas não pode ser, em Frente amiga!
Beijinhos e sorrisos para ti!

12:04 da manhã  
Blogger José said...

Eu costumo dizer que a TV por vezes tem um canal porreiro, é o botão DESLIGAR!
Como era bom na vida, não digo um botão desligar, mas um standby, deixar as tempestades da vida passar e aparecer só na bonança. Como eu gostava que assim fosse, que a vida fosse serena.
Ma s a vida é feita de coisas muito boas e de coisas muito más, para depois darmos valor ás boas. Vamos a ligar esse botão e a deixar fluir as coisas positivas e há tantas…
Beijos doces

9:45 da manhã  
Blogger luis manuel said...

Dulce

Permite-me pedir uma correcção, ou melhor mesmo corrigir definitivamente algumas atitudes.
A principal : o acto de desligar.Definitivo, cruel e frio, como começas e terminas.
Pelo meio dizes aquilo que muitas vezes é essencial e nos pode trazer benefícios.
Suspender, poder parar apenas. Olhar ao longe, mesmo que o horizonte apenas se desenhe na imaginação. Fechar os olhos - mas não o pensamento !!
Olhar dentro de nós, traz elementos substanciais para a Vida.
É um esforço - necessário !! repetido quando assim entendermos.

Será assim, ligada - mas em "suspensão". Viva e consciente de uma existência única.
Ainda ontem... se criava o hoje.

Um beijo, amiga

9:56 da manhã  

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