segunda-feira, junho 19, 2006

Grito

Este nó ... esta tristeza que sobe em ondas ... e que quando me assola a garganta, torna difícil pensar, calar, guardar.
Gritar. Gritar bem alto, não para que me ouçam, mas para soltar nesse grito, toda a angústia - toda a mágoa.
Ou dar pontapés.
Ou dar um murro a qualquer coisa. Para que me magoe e para que o grito saia mais forte, mais profundo, mais alto e mais verdadeiro.
Ou chorar apenas. Chorar durante horas. Ou durante dias. Ou durante anos. E esgotar as lágrimas porque já não as quero mais. Afogar a emoção guardada e resguardada há muito.
Chorar e ser eu uma vez na vida.
Chorar e não ter que dizer que não é nada. Que são coisas minhas.
Chorar sem justificações. Sem desculpas esfarrapadas. Sem precisar de me esconder.
Chorar e não precisar de me mostrar forte para que os outros não percebam. Para que os outros vejam por uma vez, que tem sentido. Que tudo isto tem um sentido. Que há razões que a razão desconhece.
Ou dizer asneiras. Muitas. Daquelas de verdadeiro adolescente assumido. Daquelas que eu quase já esqueci, ou que me obrigo a calar. Dizê-las com a raiva que me arranha. Gritá-las com o desespero que mal consigo abafar.
Ou escrever ... como faço nestes momentos. Escrever e sentir que não consigo exprimir tudo o que sinto. Que não há palavras suficientes. Ou que há e apenas não sei como exprimir. Como passar para o papel o que eu nem consigo gritar!
Completamente impotente.
Presa a normas. Amarrada a convenções. Espartilhada ainda, embora lutando e esbracejando furiosamente. Lutando e esbracejando como num filme mudo. Como naqueles sonhos em que pensamos que gritamos mas em que o grito morre na garganta. Inútil. Impotente.
Quero ir embora. Partir para qualquer lugar.
Quero aquela mão amiga. Aquele abraço. Aquela palavra. Aquele mar.
Ou então apenas o silêncio ... para receber o meu grito.

8 Comments:

Blogger escrevi said...

A mão, o abraço, a palavra, o mar...

Sabes que tens isso tudo.
Grita, esperneia, chora, borrifa-te no que os outros pensam.
Mas não sofras, mereces ser feliz, vais ser feliz, és feliz...

Um beijo grande.

8:39 da tarde  
Blogger augustoM said...

Se isto te pode ajudar, também tenho um texto escrito há muito templo para publicar mas inda não tive a tua coragem. Chama-se precisamente Gritar ao Vento Todo o Meu Desalento.
Compreendo-te, vivemos prisioneiros numa gaiola, e não sabemos como sair dela para podermos voar para onde quisermos.
Mas enquanto for possível gritarmos a esperança permanece.
Não o escrevas só, vai gritar ao pé do mar tudo o que te apecer, experimenta, mas grita sem vergonha até ficares rouca, verás o alívio que é. Quem sabe se aragem do mar te dá ulguma inspiração, comigo resulta.
Tens sempre a minha mão estendida.
Um beijo. Augusto

11:26 da tarde  
Blogger wind said...

Estás à espera de quê para teres aquela mão?
Não adies situações, que te podes arrepender.
Vai em frente porque tens todo o tempo do mundo e mereces e deves quebrar as convenções:) beijos

2:37 da manhã  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Hoje, 19 eh o 2o aniversario da nossa doce Carmencita e estas convidada para partilhar de nossa alegria...
Muitos beijos!

3:21 da manhã  
Blogger Paula Raposo said...

Fantástico!! Não saberia descrever com a tua beleza o que sinto! Beijos para ti e aquele abraço...

8:34 da manhã  
Blogger José said...

“Ou então apenas o silêncio ...”
Começo a entender que não podemos ficar só no silêncio…
Temos de partir para a guerra e fazer ecoar os nossos gritos de guerra.
As mudanças não se fazem em silêncio mas à custa de muito gritar, porque saber escutar os silêncios é um dom de muito pouca gente.
Tens tambem o meu grito.
Beijinho

11:12 da manhã  
Blogger marakoka said...

jocas maradas de gritos

8:50 da tarde  
Blogger lena said...

um grito!

um grito que chega aqui no silêncio de um eco...

És especial, vai em frente e suegue a tua voz

beijinhos para ti

lena

5:49 da tarde  

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