quarta-feira, março 15, 2006

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Não sei o que é o tempo. Não sei qual a verdadeira medida que ele tem, se tem alguma. A do relógio sei que é falsa: divide o tempo espacialmente, por fora. A das emoções sei também que é falsa: divide, não o tempo, mas a sensação dele. A dos sonhos é errada; neles roçamos o tempo, uma vez prolongadamente, outra vez depressa, e o que vivemos é apressado ou lento conforme qualquer coisa do decorrer cuja natureza ignoro.

PESSOA, Fernando, "Livro do Desassossego", Novis, p.222

9 Comments:

Blogger wind said...

Extraordinário! a relativalização do tempo, tal Einstein:) beijos

1:36 da tarde  
Blogger jorgesteves said...

Tempo (à conta da tal Relatividade...), que mistério esse onde os minutos são longos e os anos tão breves...
jorgesteves
http://www.contextualidades.blogspot.com

2:43 da tarde  
Blogger Choninha said...

Uhm, mais uma vez do Livro que mais gosto. Bj

3:21 da tarde  
Blogger AS said...

Querida Dulce, o tempo não passa, é perene e imutável!... Nós é que passamos pelo tempo...

Beijosss

7:34 da tarde  
Blogger anatema said...

Cuánto desasosiego en ese "Libro del Desasosiego", Dulce amiga.

Un beso.

11:50 da tarde  
Blogger estoycomountren said...

Buenas noches Dulce.
Te imagino llena de paz. Una paz que transmites incansable.

Abrazo.

11:57 da tarde  
Blogger wind said...

Desculpa, hoje vim reler e não sei onde fui inventar a palavra:relativalização.lololol

11:43 da manhã  
Blogger João said...

O tempo é apenas um ontem a empurrar-nos para um amanhã, acho que não existe quando se sente a eternidade

4:21 da tarde  
Blogger lena said...

passamos pelo tempo, não sabemos como ele é
verdade o tempo do relógio é falso...

beijinhos muitos para ti Dulce

10:16 da tarde  

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