quarta-feira, outubro 04, 2006

Noite!


Aquele ruído enchia a noite.
A minha noite!
Ao silêncio do quarto sobrepunha-se aquele som dominador - impossível de ignorar.
O vento e o mar. Ou o mar e o vento. Qual deles o mais forte!
De olhos fechados, apurei o ouvido tentando isolá-los, mas era como se o mar e o vento - ou o vento e mar - se enovelassem num abraço, e era os dois que eu ouvia.
Levantei-me e fui até à janela. O mar não se distinguia, mas no céu a lua despontava de um emaranhado de nuvens - desenhando-as de novo a cada segundo que passava. Aquela luz leitosa derramava-se numa pequena cascata que ora se escondia ora reaparecia - a única luz naquela noite tão escura.
O vento lá fora arrepiou-me a pele e um friozinho desagradável percorreu-me toda. Abraçei-me com os meus próprios braços e voltei para o conforto da cama.
Fechei os olhos. Procurei um aroma morno que me envolvesse e, enrolando o meu corpo a um sonho, foi no embalo de uma respiração compassada que adormeci de novo.

(Foto em www.trekearth.com)

4 Comments:

Blogger Passaro Azul said...

Ao som do mar, no seu vai e vem, só podes ter tido um mágnifico sonho.
Nesse embalar, tudo é possivel acontecer.
É muito bom ler-te. Cada vez melhor.
um beijo com amizade.

11:47 da tarde  
Blogger wind said...

Adormecer assim, depois de ver essa paisagem, é muito bom:)
beijos

11:53 da tarde  
Blogger António Rosa said...

Este é um convite que estou a deixar nos blogues, para se fazer um simples exercício de visualização criativa,a favor da cadelinha Bonny, que tem um carcinoma mamário.

É simples, demora 3 minutos e está explicado no meu blogue "Postais da Novalis".

É compaixão.

Agradecido,

António Rosa

12:43 da manhã  
Blogger A Rapariga said...

Lindíssimo, Dulce.
Não tenho jeito para comentar, mas escreve muito bem
Parabéns!

9:42 da tarde  

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