domingo, agosto 27, 2006

A magia das palavras

A magia das palavras. Tal se poderá dizer da obra final. (Ou não!)
Assim se caracterizará o resultado do esforço de criar um texto. Milhares de palavras. Milhares de letras - pequenos símbolos que o homem inventou unidos de variadíssima forma para dar sentido a uma ideia. (Ou não!)
Ao escrevermos um texto, uma pequena carta, um pequeno trabalho, uma lista de supermercado, não pensamos no que estamos a fazer. Maquinalmente agrupamos estes pequenos símbolos gráficos com uma finalidade lógica. (Ou não!)
Surgem dúvidas em aplicar esta ou aquela palavra para que o sentido seja exactamente aquele que pretendemos transmitir.
Porque "mar" e "oceano" apesar de sinónimos, nem sempre exprimem aquela "toalha de água densa e luminosa" que imaginámos.
Porque "velho", "gasto" ou "idoso" não são as palavras que queremos, para falar de quem "já caminha pela vida com olhos de saber". (Ou não!)
Porque quando passamos para o papel aquela ideia que tem vindo a germinar há muito, essa ideia se reveste de contornos muito precisos - muito nítidos - e há que utilizar as palavras certas, aquelas que se encaixam no puzzle que montámos.
Às vezes, na procura da palavra certa fico ali, perdida num mundo feito de sons. De sons, sim! porque às vezes é apenas o som vago da palavra dita que me surge bem no fundo do pensamento. Como que o eco baixo e eternamente repetido de algo que não consigo distinguir perfeitamente. E assim rebobino o som na tentativa de o escutar com alguma clareza - numa espera desesperada e lenta - porque é apenas aquele e não qualquer outro som que pretendo ouvir. Até que o eco se aclara e o texto progride.
Se calhar para alguns, escrever é instintivo - parto fácil e sem dôr de crias perfeitas. (Ou não!)
Não para mim. Ou pelo menos nem sempre. Gosto de trabalhar as ideias e só depois passar as palavras para o papel onde ainda se alteram e transformam, riscadas e substituídas por outras, até que o som seja o que quero ouvir e a forma a que quero ver.
Há coelhos que se transformam em pombos e mãos vazias que desabrocham em flores. E há letras que se unem por magia e transformam o mundo. (Ou não!)

9 Comments:

Blogger Su said...

podes ter a certeza as tuas letras unem-se pela tua mão mágica e tudo se transforma em belo....
jocas maradas deste lado do mar

2:20 da tarde  
Blogger José said...

E o som e tom dá sentido à palavra. (Ou não!)
Beijinho (Ou não!)

3:17 da tarde  
Blogger saisminerais said...

E haverá quem o saiba fazer melhor que tu?
há escritores é há os que escrevem.)(ou não?)
Sempre a aprender contigo amiga Dulce, sempre me consegues surprender... Tens sempre a palavra certa no memento certo, absorvo e fico bem com o mundo, contigo, comigo.
beijo

5:38 da tarde  
Blogger wind said...

Mas tu escreves com a magia dos grandes escritores.
És única no teu escrever e sentir.
Já me torno repetitiva, até irrita, que coisa!
Adoro o que escreves , o que transmites, sempre tão claro, transparente, único.
Admiro-te muito!
Por isso não sei onde andam os editores, que raio:)
beijos

7:10 da tarde  
Blogger Era uma vez um Girassol said...

Alguns nascem com esse dom da escrita, outros escrevem apenas por intuição. Tu estás no primeiro grupo, decerto! Eu estarei no segundo ... Nem páro para pensar...
Interessante esta tua reflexão, mostrando a tua busca de perfeição na palavra escrita.
Aqui estou e venho para te apreciar e beber essa sabedoria.
Bjs

8:18 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

A magia das palavras no som único do que se pretende transmitir e se consegue(ou não!). Beijos.

3:19 da tarde  
Blogger A Rapariga said...

lembro-me desta música do Cat Stevens de quando era pequenina. havia o disco de vinil lá em casa.
hoje quem lhe responde é a rapariga mais nova, a Trintapermanente.
colaboro no blog da minha mãe, que já me falou de si, bem como o meu pai, Augusto.

há coelhos que se transformam em pombos, pombos em flores, é ilusionismo.
gostei de ler o que escreve, para mim é novidade...

beijos
Partricia

8:54 da tarde  
Blogger Isabel said...

Gostei do teu blog... passa pelo meu acho que podia-mos visitar-nos mutuamente...
http://almasolta.blogspot.com/

11:05 da manhã  
Blogger Isabel said...

De cada vez


Contínua realidade que me sorves os dias
como hei-de responder-te se vives incluída
dos meus olhos abertos nas ávidas e frias
pedras incertas vida

prisioneira do espelho que embacias
de cada vez que a turva suicida
torna ao morrer visíveis
as formas com que comes os meus dias



Gastão Cruz

11:07 da manhã  

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