sábado, maio 13, 2006

Tempestades


Um barco que seja apanhado por uma tempestade pode não naufragar, mas dela também não sai incólume. As suas velas provavelmente rasgar-se-ão e os mastros poderão até vergar e partir-se. Difícil seria sair ileso.
O mesmo se passa na vida. Algumas vezes caminhamos em direcção à tempestade. Vê-mo-la formar-se ao longe e sabemos que temos de a enfrentar. Temos uma segunda hipótese: fugir dela - evitá-la - mas mais cedo ou mais tarde ela vai apanhar-nos e teremos que lhe fazer frente.
Ao caminharmos na sua direcção sabemos também que não poderemos sair incólumes. Alguns "estragos" hão-de sobrevir, mas enquanto ela se dirige para nós, temos também algum tempo para nos prepararmos e tentar minimizar os seus efeitos.
Se conseguirmos ultrapassar os ventos contrários vamos sair dela mais fortes, mais confiantes e mais vivos. E como é uso dizer-se "depois da tempestade vem a bonança". Um céu mais azul estará do outro lado. O sol brilha de novo e aquece-nos. Seremos novos seres com novos objectivos e quem sabe, alguém para nos pegar na mão.
Fugir da tempestade que se aproxima é a outra alternativa. Vê-la adensar-se, enegrecer e tombar sobre nós, e o medo tolher os nossos movimentos. Dobramo-nos sobre nós próprios, fechamos os olhos e aguardamos quietos que ela se dissipe. Enrolados como um novelo deixamos que ela nos abane, nos empurre, nos jogue contra a parede, mas nós - imóveis - tudo permitimos, e no final, quando ela se retrai, apenas as roupas sairão amarrotadas, mas a integridade física estará salvaguardada. Até que ela volte ... porque ela vai voltar!
Quantas vezes é apenas ao fim de muitas tempestades em que sempre nos enrolámos como uma bola, que conseguimos a força para enfrentar a derradeira tempestade? Quantas vezes pactuámos com a força das suas correntes? Até que um dia ...

(Foto em www.trekearth.com)

10 Comments:

Blogger escrevi said...

já houve tempos em que eu enfrentava todas as tempestades, de cara levantada e pensava que tinha passado por elas ilesa.
Mentira. Morri em cada uma e já não sinto forças para enfrentar mais nenhuma.
Prefiro ficar "dobrada sobre mim própria, olhos fechados, enrolada como um novelo".
Cobardia?
Não sei, talvez...
Tu não. Tens uma força interior que já te fez passar através das piores tempestades, "só" com algumas lágrimas nos olhos. E masmos essas são provocadas pelo vento.
És uma grande Mulher e eu tenho muito orgulho em te ter como amiga.

Um beijo.

5:06 da tarde  
Blogger Ana Fundo said...

Força Amiga, vais combater essa Tempestade e por fim saborear a doce Bonança.
A vida é mesmo assim, feita de ciclos, tudo passa...
Estou aqui sempre para o que precisares.
Um beijo enorme
Ana

6:44 da tarde  
Blogger wind said...

É isso mesmo, até que um dia...
Já me encolhi, agora enfrento:) beijos

10:37 da tarde  
Blogger A Rapariga said...

Até que um dia nos fartamos e mandamos tudo ás ortigas, porque sim, só.

Não há tempestade que possa derrubar uma força da natureza como EU.

O meu EU nem ventos, marés o destrói nem mesmo tu, tu que me disseste um dia que já era tarde. E eu respondi-te: nunca é tarde!

Sabes? Espero que sim.

Beijo
Bom fim de semana

PS-Adoro esta música

10:49 da tarde  
Blogger Armando Moreira said...

...Até que um dia descobrimos que a tormenta passou, que as velas estão rasgadas, na boca o gosto do sal, mas nos olhos a esperança que a luz volta em novo dia que deve ser vivido no embalo do vento...
"Que o Cósmos te proteja nesta tua estada entre nós"

Um beijinho Dulce, com dua pinceladas de ternura

Armando Moreira

12:12 da manhã  
Blogger Paula Raposo said...

Costumo enfrentá-las. Beijos.

8:36 da manhã  
Blogger Peter said...

Dulce, o que importa é, como escreves:
"sair dela mais fortes, mais confiantes e mais vivos"

Bom Domingo*

12:00 da tarde  
Blogger Su said...

encolhi.me...enfrentei...caí...levantei....mas já estou cansada de tormentas...e elas estão sempre ali...em frente de mim...
jocas maradas

2:10 da tarde  
Blogger jorgesteves said...

Um dia, um dia o barco encontrará maré segura, vento de feição e, talvez, a praia ignorada...
(isto se a mão que segura o leme, acreditar...)
jorgesteves

12:04 da tarde  
Blogger travessias said...

...e se a derradeira tempestade se aproxima, veloz, intensa, sem aviso?

9:34 da manhã  

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