segunda-feira, janeiro 23, 2006

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"Senti-me inquieto já. De repente, o silêncio deixara de respirar. Súbito, de aço, um dia infinito estilhaçou-se. Agachei-me, animal, sobre a mesa, com as mãos garras inúteis sobre a tábua lisa. Uma luz sem alma entrara nos recantos e nas almas, e um som de montanha próxima desabara do alto, rasgando num grito sedas do abismo. Meu coração parou. Bateu-me a garganta. A minha consciência viu só um borrão de tinta num papel."

PESSOA, Fernando, "O livro do Desassossego", Novis, p,224

7 Comments:

Blogger AS said...

Uma obra de uma intensidade incomparável!... onde todos os conceitos são postos em causa...

Um beijo Dulce

4:52 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Belo! Beijos

8:28 da tarde  
Blogger JPD said...

é uma das obras mais fascinante que continuo a ler.
Excelente escolha!
Bjs

8:45 da tarde  
Blogger Carmem L Vilanova said...

Queridos(as) amigos(as),
Gostava que pudessem dar uma passada lá pelo meu blog para ver o post "Silence... shhh..." que fala de um dos grandes males da blogosfera, da qual fui vítima recente... Espero que, pelo menos, sirva de alerta a todos!!!
Muitos beijos, flores e sorrisos!!!

9:02 da tarde  
Blogger A.na said...

Que todos os borrões assim fossem...De génio.

Um grande beijinho minha
Dulce querida.

9:40 da tarde  
Blogger AQUENATÓN said...

Bom dia Dulce!

Lindo texto.

Bji

10:58 da manhã  
Blogger lena said...

o génio da poesia,
incomparavel Fernando Pessoa

beijinhos Dulce

11:35 da tarde  

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