quinta-feira, janeiro 19, 2006

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"Há qualquer coisa de longinquo em mim neste momento. Estou de facto à varanda da vida, mas não é bem desta vida. Estou por sobre ela, e vendo-a de onde vejo. Jaz diante de mim, descendo em socalcos e resvalamentos, como uma paisagem diversa, até aos fumos sobre casas brancas das aldeias do vale. Se cerrar os olhos, continuo vendo, pois que não vejo. Se os abrir nada mais vejo, pois que não via. Sou todo eu uma vaga saudade, nem do passado, nem do futuro: sou uma saudade do presente, anónima, prolixa e incompreendida."

PESSOA, Fernando, "O Livro do Desassossego", Novis, p.237

7 Comments:

Blogger wind said...

Este livro "enche-me as medidas". Desculpa este comentário, mas é verdade:) beijos

1:37 p.m.  
Blogger Concha Pelayo/ AICA (de la Asociación Internacional de Críticos de Arte) said...

Mi querida Dulce, la imcomprensión de todos nos une a todos.

4:41 p.m.  
Blogger DT said...

Comecei a ler este pequeno trecho e pensava para mim mesmo que isto só podia ser Pessoa!

Ainda não li o "Livro do Desassossego" mas está nas minhas prioridades máximas!

Mais uma excelente escolha Dulce.

Bjs

7:15 p.m.  
Blogger JPD said...

Belíssima escolha, Dulce.
Fica bem.
Bjs

10:32 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

'Uma saudade do presente, incompreendida'. Escolher Pessoa é sempre uma escolha acertada. Beijinhos.

11:41 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

PESSOA, sempre presente.
Um óptimo fim de semana, Dulce.

11:05 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

"Estou de facto à varanda da vida, mas não é bem desta vida"

andei a procura desse trecho na internet por tanto tempo..finalmente encontrei e numa boa altura...transcrevi do teu blog para meu portifólio na internet, teu blog é lindo.

xêru

1:13 a.m.  

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