segunda-feira, fevereiro 06, 2006

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Ele volta a acariciá-la. Ele volta a adormecer. Ele olha para ela. Olha para essa que lhe entrou em casa, uma visita caída das mãos de Deus, essa criança branca da Ásia. A sua irmã de sangue. A criança dele. O seu amor. Já sabe que sim.
Olha para o corpo, para as mãos, para o rosto, toca. Respira o cabelo, as mãos ainda manchadas de tinta, os seios da menina.
Ela dorme.
Ele fecha os olhos e com uma doçura magnífica, chinesa, encosta o corpo dele ao corpo da criança branca e muito baixo diz que começou a amá-la.
Ela não ouve.
Ele apaga a luz.
O quarto está iluminado pela luz da rua.

DURAS, Marguerite, "O Amante da China do Norte", Círculo de Leitores, Lisboa, 1993, p.76

9 Comments:

Blogger dulce said...

Quando existe uma adaptação de uma obra ao cinema, gosto sempre primeiro de ler o livro e só depois ver o filme. Assim, sou eu mesma que construo as personagens e os cenários, que imagino na minha cabeça e com as palavras q me são dadas, todo o livro. Esta obra de M. Duras chegou-me no entanto primeiramente pelo cinema. O fime "O Amante" requisitei-o há uns anos atrás numa tarde de inverno, e só mais tarde vim a ler o livro que lhe deu forma. Ao lê-lo são as personagens do ecrã que revisito, são as poderosas sensações de desejo que redescubro. Não posso deixar de recomendar o visionamento deste filme, classificado creio que nos filmes eróticos, como um daqueles que melhor me soube transmitir a imagem do desejo de uma forma tão intensa que nunca mais o vou poder esquecer. Um filme onde os silêncios falam mais alto que as palavras ou os gestos.
Beijos para todos vocês.

1:40 da tarde  
Blogger wind said...

Lindo:) beijos

1:44 da tarde  
Blogger anatema said...

Hace muchos años leí esa novela tan densa y sensual. Hoy la he vuelto a recordar. La volveré a leer, ahora ya, con mis ojos maduros. Un beso Dulce.

3:23 da tarde  
Blogger Su said...

tb gosto de ler 1º o livro, mas neste caso concreto, tb vi 1º o filme e gostei tanto que fui comprar o livro... e voltei a amar lendo
jocas maradas

8:37 da tarde  
Blogger Paulo J. Ribeiro said...

O livro sempre antes do filme. Se o filme vier primeiro, a nossa imagunação fica castrada. Limitada.

9:57 da tarde  
Blogger mixtu said...

Duras é claramente a minha preferida...
saludos, amei este post

10:26 da tarde  
Blogger Paula Raposo said...

Nem vi o filme, nem li o livro. Estes excertos são magníficos. Beijos.

11:05 da tarde  
Blogger augustoM said...

Não li o livro nem vi o filme, mas o texto transcrito é de uma enorme ternura.
Um abraço. Augusto

1:36 da tarde  
Blogger AS said...

Como tu bem dizes Dulce, "um filme onde os silêncios falam mais alto que as palavras ou os gestos".

Beijosss

7:08 da tarde  

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