quarta-feira, março 29, 2006

Canto lamento

Hoje quero as palavras tristes
Que as vogais como lágrimas
Humedeçam o papel
Que as palavras gemam, solucem
Que cada verso seja um lamento
Que rasgue o branco da página,
Branco solidão em que me deito.
E percorrerei os versos
E os trilhos de lágrimas
E direi as palavras e os versos lamento
E assinarei solidão
E datarei a dor que vai dentro.

Encandescente, Colecção Polvo, 2005, p.20

12 Comments:

Blogger Paula Raposo said...

Hoje também quero 'as vogais como lágrimas...' Beijos, Dulce.

3:26 da tarde  
Blogger HatA/mãe said...

Hoje vou, tambem engolindo as vogais com as lágrimas, ao som do Jorge palma e da Mafalda, que me trazem imensas recordaçoes.
Foi dos tempos mais felizes quando trabalhou com ela, fez parte do seu staf 3 anos...Que épocas felizes...
Um grande abraço Dulce

5:55 da tarde  
Blogger AQUENATÓN said...

CAda palavra que sai da alma,inscreve nela a memória da dor.

Bji

7:02 da tarde  
Blogger AS said...

Um lindo poema, com uma forte expressão poética... Gostei muito!

Um beijo Dulce

11:42 da tarde  
Blogger anatema said...

Cada grito del alma, como dice tu canción, se lanza lejos para sea oída.
Cada grito se convierte en un suspiro de resignación.

Un beso Dulce.

12:58 da manhã  
Blogger wind said...

Um poema dorido.Beijos

1:49 da manhã  
Anonymous Sintra said...

Hoje quero as palavras alegres...

9:54 da manhã  
Blogger João said...

Quando as lágrimas humedecem o papel
os poemas são barcos
E o sentimento o próprio mar

10:58 da manhã  
Blogger José said...

Por vezes a dor é tão profunda que também se tem de usar as consoantes!
Um beijo grande "sem letras"

11:25 da manhã  
Blogger lena said...

belo este poema


pensei como posso assinar a solidão


beijinhos Dulce

12:27 da tarde  
Blogger jorgesteves said...

Curioso: também lá fora, do outro lado da vidraça, escorrem gotas de chuva, assim 'vogais como lágrimas' e a humidade pressentida traz laivos cinzentos de solidão com 'dor que vai dentro'...
Amanhã volta a Primavera!
jorgeesteves
http://www.contextualidades.blogspot.com/

2:45 da tarde  
Blogger A Rapariga said...

Um grito de alma este poema.
Parabéns à Encandescente e a ti

9:35 da tarde  

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